Design e seus desafios nas Micro e Pequenas Empresas.

Empreender por necessidade é uma das grandes razões de pessoas se aventurarem no mundo dos negócios e isso, com algumas exceções, pode decorrer em empreendimentos sem capital compatível com o porte do negócio, sem planejamento estratégico que direcione a competitividade dos empreendimentos e sem o devido preparo de seus proprietários, o que acarreta na morte prematura dos empreendimentos. Como se proteger desse fato.

 




Competitividade para a pequena e micro empresa, em um mundo globalizado, requer empenho do empresário no que tange a sua capacitação em gestão de negócios, em desenvolver um olhar crítico às oportunidades e em observar atentamente as tendências de consumo. Porém mais do que empenho, este empresário necessita criar um diferencial competitivo que identifique a sua empresa como inovadora, criativa e ousada, disponibilizando produtos e serviços necessários e adequados às exigências do mercado.

Os empresários de pequenas e micro empresas, sejam eles dos setores de comércio, indústria, serviços, ao optarem pelo estabelecimento de estratégias de competitividade para seus negócios devem considerar as variantes inerentes ao processo de implantação dessas estratégias – planejamento, viabilidade, custos, recursos humanos, inovação tecnológica, questões ambientais, questões sociais, criatividade – são algumas destas variáveis. O Design deve compor esta lista em função de sua crescente importância na relação entre produtos/serviços e o mercado, atuando como uma ferramenta estratégica de negócios. O design deixa de ser percebido apenas como uma intervenção estética e pontual, passando então a assumir a tarefa de lançar olhares atentos para o futuro, mapear tendências, propor o melhor aproveitamento de insumos, propor melhorias nos processos de planejamento e produção, além de propor um diálogo aberto com o consumidor, entendendo as suas necessidades e transformando-as em produtos e serviços desejados e esperados.

 

O design como um processo de gestão

Trabalhar com o conceito de que design refere-se ao processo projetual de um produto ou serviço e que, por conta disso, pode se configurar como uma importante ferramenta de gestão causa resistência e certo estranhamento frente à grande maioria dos empresários de micro e pequenas empresas. Por hábito, esses profissionais observam o design como algo supérfluo, de aparência e financeiramente inviável devido à percepção de altos custos de investimento, portanto longe de suas possibilidades de contratação para a inserção no processo produtivo das empresas.

 




Apesar de uma boa estética ou de um adequado projeto gráfico de comunicação de uma empresa contribuir para a exposição positiva de uma marca, de um produto ou serviço, o design ao entrar no final do ciclo de produção de um produto ou serviço, com uma intervenção especifica e pontual, deixa de contribuir positivamente ao longo do processo projetual.

Para que, de fato, o design possa desempenhar o papel de ferramenta de gestão estratégica nos processos produtivos das micro e pequenas empresas, há a necessidade de um trabalho de sensibilização e convencimento à classe empresarial.

O design deve passar a ser percebido pelos empreendedores como fator determinante na nova concepção de comunicação de valores, de identidade e até mesmo de usos e costumes. O on demand, a peça exclusiva produzida conforme a identificação, a necessidade e a vontade de consumidores, têm hoje, maior valor de mercado.

“Em mercados cada vez mais competitivos, vence quem consegue gerar uma identificação profunda entre o produto e seu público; e uma marca torna-se especialmente forte quando se confunde com a própria identidade e história do sujeito consumidor.”

 

O foco volta-se para o consumidor

A mudança deve começar com o redirecionamento do foco estratégico das empresas. Ao focar o consumidor, as MPEs passam a ter respostas de mercado reais, mais ágeis e atualizadas para sua produção, o que acarreta produtos projetados de acordo com as tendências de consumo.

 




É fato termos hoje oferta de produtos e serviços no mercado que se confundem com commodities, ou seja, produtos e serviços cada vez mais parecidos, que apresentam características semelhantes, que desempenham as mesmas funções e que se assemelham até mesmo com os custos de produção e valores de venda. A concorrência é acirrada e confunde o consumidor que não tem subsídios para escolher um produto em detrimento de outro. A compra se concretiza não por convicção do comprador na escolha do produto, mas sim pela disponibilidade, pela ocasião, por questões econômicas e até mesmo por questões ligadas ao desinteresse de escolha.

Ao observarmos o consumidor, teremos à nossa disposição sinais emitidos com frequência sobre seus anseios, suas necessidades, seus interesses de consumo. A diversidade de perfis de consumidores é grande e será preciso preparar-se para entender os seus comportamentos para que possamos decifrá-los e transformá-los em produtos e serviços. Não caberá ao empresário a tarefa de decifrar sozinho esses códigos, porém caberá a ele a tarefa de criar um ambiente favorável em sua empresa que possibilite a inserção de ações inovadoras, criativas e inusitadas, favorecendo o processo projetual de seus produtos e serviços e colocando no mercado não mais um simples produto, mas sim um produto agregado de valores que são caros (importantes) ao consumidor.

O design permeia todo o processo de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), com proposta de foco no consumidor, desenhando novas estratégias para as análises do consumo atual, do consumo latente e as oportunidades futuras de consumo.

Os produtos deverão cada vez mais se confrontar com um novo protagonista de mercado: o consumidor autor – aquele que possui a inovação. Falar hoje de inovação significa dar ao design e à criatividade um papel que até pouco pertencia quase que exclusivamente à tecnologia e que assume uma importância central nas diferentes gerações .

O design, ao agregar aos negócios um diferencial competitivo, desenvolvido por uma estratégia de observação do consumidor, amplia o poder de interação entre o produto e o cliente. Cabe ao empreendedor o papel de saber decifrar as necessidades desse consumidor e transformá-las em produtos e serviços acessíveis e compatíveis com uma demanda exigente. O consumidor, ao ter a percepção de que suas necessidades estão sendo observadas, atendidas e/ou superadas, passa a ter maior identificação com a marca, criando um elo de confiança, de respeito e comprometimento.

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